A intensidade não se mede apenas numa escala
A dor pode começar antes ou no início da menstruação, atingir o baixo ventre e as costas e acompanhar-se de náuseas, diarreia, cefaleia ou tonturas. Mais do que atribuir um número, importa perceber se impede dormir, frequentar escola ou trabalho, fazer exercício ou manter atividades habituais.
Faltar repetidamente, precisar de permanecer deitada, acordar durante a noite ou organizar todos os meses em redor da dor são sinais de impacto. O facto de familiares terem tido sintomas semelhantes não transforma dor incapacitante em normal nem dispensa avaliação.
Dismenorreia primária e secundária
Na dismenorreia primária, as cólicas surgem sem outra doença pélvica identificada e estão relacionadas com prostaglandinas que provocam contrações uterinas. Costuma começar nos primeiros anos após a primeira menstruação e concentra-se nos primeiros dias do fluxo.
Na dismenorreia secundária, outra condição contribui para a dor. Endometriose, adenomiose, miomas, infeção pélvica e algumas alterações anatómicas são exemplos. Dor que começou mais tarde, piora com o tempo, dura para além da menstruação ou se associa a dor nas relações, ao evacuar, infertilidade ou hemorragia anormal merece investigação dirigida.
Como é feita a primeira avaliação
A história inclui idade da primeira menstruação, padrão dos ciclos, momento e duração da dor, quantidade de sangue, sintomas associados, atividade sexual, possibilidade de gravidez, medicação e resposta a tratamentos. O impacto funcional deve ser perguntado diretamente e registado.
Nem todas as adolescentes ou adultas precisam imediatamente de exame interno ou ecografia. Estes são considerados conforme idade, sintomas, consentimento e suspeita de causa secundária. Uma ecografia normal não exclui endometriose superficial, pelo que a evolução e a resposta ao tratamento continuam importantes.
Medidas e medicamentos devem ser usados com orientação
Calor local, atividade física tolerada, sono e estratégias de relaxamento podem complementar o plano. Anti-inflamatórios são frequentemente utilizados porque reduzem prostaglandinas, mas têm contraindicações e funcionam melhor quando tomados no momento e dose adequados. Não combine produtos com o mesmo princípio ativo.
Métodos hormonais podem reduzir dor e são opções mesmo quando a contraceção não é o objetivo principal. A escolha depende de preferências, padrão de hemorragia, antecedentes, riscos e possíveis contraindicações. A resposta deve ser revista; manter dor incapacitante durante meses sem reavaliação não é um plano suficiente.
Quando investigar endometriose ou outras causas
Endometriose deve ser considerada quando a dor afeta qualidade de vida, existe dor pélvica fora da menstruação, dor profunda nas relações, sintomas intestinais ou urinários cíclicos, dificuldade em engravidar ou familiares próximas com a doença. Nenhum destes elementos isolado confirma o diagnóstico.
Hemorragia muito abundante pode sugerir adenomiose, miomas ou outra alteração e também causar anemia. Febre, corrimento anormal ou dor nova após uma exposição sexual orientam para infeção. A avaliação seleciona testes segundo a hipótese, evitando painéis de análises sem pergunta clínica.
Um registo de dois ou três ciclos pode ser suficiente
Anote primeiro e último dia do fluxo, intensidade aproximada, início e fim da dor, sintomas associados, medicação, dose e efeito. Registe dias perdidos de escola ou trabalho e limitações concretas. Este resumo é mais útil do que tentar recordar vários meses durante a consulta.
Leve informação sobre doenças, alergias, medicação e antecedentes familiares relevantes. Se existe possibilidade de gravidez ou relação sexual sem proteção, diga-o porque muda a avaliação e a segurança dos tratamentos. A consulta deve terminar com um plano, prazo de revisão e sinais para procurar ajuda antes.
Perguntas frequentes
É normal faltar à escola ou ao trabalho todos os meses?
Não deve ser aceite como inevitável. A limitação recorrente é motivo para avaliação e para um plano de tratamento com revisão da resposta.
Uma ecografia normal exclui endometriose?
Não. Pode excluir algumas alterações e formas visíveis, mas endometriose superficial pode não aparecer numa ecografia.
A pílula é o único tratamento?
Não. Existem medidas não farmacológicas, anti-inflamatórios e diferentes opções hormonais; quando há outra causa, o tratamento é adaptado a essa condição.
Devo esperar pela dor para tomar o analgésico?
O momento adequado depende do medicamento e do padrão previsível da dor. Confirme instruções, contraindicações e dose com um profissional, sem combinar produtos inadvertidamente.