Condição ginecológica

Gonorreia

A gonorreia é uma infeção sexualmente transmissível causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. Pode afetar colo do útero, uretra, reto, garganta e olhos, frequentemente sem sintomas. O aumento da resistência aos antibióticos torna essencial usar o tratamento recomendado, confirmar todos os locais expostos e investigar persistência de forma adequada, em vez de repetir antibióticos sem colheita.

Sintomas dependem do local infetado

Infeção cervical pode causar corrimento, sangue entre menstruações ou depois de relações e dor pélvica, mas é muitas vezes silenciosa. Infeção uretral pode produzir ardor e secreção. No reto podem surgir dor, comichão, secreção ou sangue; na garganta, a maioria das pessoas não nota sintomas ou apresenta apenas desconforto inespecífico.

Secreção ocular, dor, sensibilidade à luz ou inchaço após contacto com secreções pode corresponder a infeção ocular e necessita avaliação urgente. Sintomas semelhantes podem ser provocados por clamídia e outros agentes, que podem coexistir. O diagnóstico visual não identifica a bactéria nem a sua sensibilidade aos antibióticos.

É necessário testar cada local relevante

Testes moleculares em urina ou amostra vaginal, cervical, retal ou faríngea são usados conforme anatomia e práticas. Um teste genital negativo não exclui gonorreia da garganta ou reto. A conversa deve perguntar de modo neutro sobre exposição oral, vaginal e anal, permitindo colheitas completas sem pressupor risco pela identidade da pessoa.

A cultura é particularmente importante perante suspeita de falha terapêutica, porque permite estudar sensibilidade. Deve ser colhida antes de novo antibiótico sempre que clinicamente seguro. Testes moleculares são muito sensíveis, mas não informam diretamente que medicamento funcionará. Produtos locais ou antibióticos recentes devem ser comunicados.

O tratamento segue recomendações atualizadas

A gonorreia é curável, mas a bactéria desenvolveu resistência a vários antibióticos. O esquema depende do local, peso, gravidez, alergias e orientações vigentes. Pode ser necessário tratar clamídia quando ainda não foi excluída. Receitas antigas, tratamentos por via oral escolhidos sem avaliação ou doses incompletas podem falhar e dificultar controlo.

Depois do tratamento, deve cumprir-se o período indicado sem relações e esperar que os parceiros sejam tratados. Sintomas podem demorar algum tempo a resolver, mas persistência requer reavaliação. Repetir simplesmente o mesmo medicamento não distingue reinfeção, adesão insuficiente, outra causa ou resistência e pode atrasar a colheita mais informativa.

Parceiros e outras IST fazem parte do plano

Parceiros sexuais recentes devem receber avaliação, testes e tratamento segundo orientação, mesmo sem sintomas. A notificação pode ser apoiada por serviços de saúde e deve proteger confidencialidade e segurança. Um diagnóstico não revela há quanto tempo a infeção existe nem permite concluir quem a transmitiu.

É habitual testar clamídia, sífilis e HIV e rever vacinação e prevenção apropriadas. Preservativos externos ou internos reduzem risco, incluindo em relações futuras depois de todos concluírem tratamento. Pessoas com exposições continuadas podem beneficiar de rastreio periódico e discussão sobre profilaxia do HIV quando elegível.

Seguimento varia conforme local e evolução

Algumas infeções, especialmente da garganta, podem necessitar teste de cura no intervalo recomendado. Para infeção urogenital ou retal tratada com o esquema recomendado, esse teste não é sempre necessário, mas sintomas persistentes ou suspeita de falha mudam o plano. O laboratório e a técnica determinam o momento seguro para repetir.

Independentemente do teste de cura, recomenda-se frequentemente novo teste cerca de três meses depois para detetar reinfeção. Marcar logo essa data melhora seguimento. Se um novo teste é positivo, história de relações após tratamento e tratamento dos parceiros ajudam a distinguir nova aquisição de uma rara falha, sem assumir automaticamente resistência.

Complicações exigem reconhecimento precoce

A infeção ascendente pode causar doença inflamatória pélvica, dor crónica, gravidez ectópica e dificuldade em engravidar. Dor pélvica, febre, vómitos ou dor nas relações justificam avaliação rápida. Em pessoas com testículos, dor ou inchaço escrotal também precisa de observação para epididimite e outras urgências.

Raramente, a bactéria dissemina-se e provoca febre, dores articulares, tenossinovite ou lesões cutâneas. Na gravidez, o diagnóstico e tratamento reduzem risco materno e neonatal; informe gestação antes da terapêutica. Se existir dor ocular, alteração visual, febre importante ou articulação muito dolorosa, não aguarde consulta de rotina.

Dúvidas frequentes

Perguntas frequentes

A gonorreia da garganta dá sintomas?

Frequentemente não. A exposição oral pode justificar uma zaragatoa específica.

Um teste de urina exclui gonorreia retal?

Não. Cada local exposto pode necessitar da sua própria amostra.

Porque pode ser necessária cultura?

Perante possível falha, a cultura permite estudar a sensibilidade da bactéria aos antibióticos.

É preciso repetir o teste?

O teste de cura depende do local e tratamento; um reteste posterior é recomendado para detetar reinfeção.

Fale Connosco no WhatsApp