Condição ginecológica

Tricomoníase

A tricomoníase é uma infeção sexualmente transmissível causada pelo parasita Trichomonas vaginalis. Muitas pessoas não têm sintomas, mas continuam a poder transmitir a infeção. Quando existem queixas, estas confundem-se facilmente com outras causas de corrimento ou irritação. O diagnóstico por teste adequado, o tratamento completo e a abordagem simultânea dos parceiros são essenciais para evitar transmissão e reinfeção.

Os sintomas variam e podem estar ausentes

Na vagina, a infeção pode causar corrimento diferente do habitual, odor, comichão, ardor, vermelhidão, desconforto ao urinar ou dor nas relações. Nenhuma cor, consistência ou cheiro confirma tricomoníase. Vaginose bacteriana, candidíase, infeções cervicais, irritação por produtos e alterações hormonais podem produzir sintomas semelhantes e exigir tratamentos diferentes.

Em pessoas com pénis, é frequente não haver sintomas; quando aparecem, podem incluir irritação uretral, ardor após urinar ou ejacular e secreção. A ausência de sinais num parceiro não prova que não exista infeção. Os sintomas podem surgir e desaparecer, pelo que esperar pela resolução espontânea mantém a possibilidade de transmissão.

A transmissão ocorre sobretudo por contacto sexual

A transmissão acontece principalmente através de contacto genital sem barreira com uma pessoa infetada. Partilhar brinquedos sexuais sem limpeza ou proteção adequada também pode contribuir. Não é possível determinar com segurança quando ocorreu a infeção apenas pelo diagnóstico, porque pode permanecer assintomática durante bastante tempo.

Um resultado positivo não permite concluir infidelidade nem identificar automaticamente quem transmitiu. A conversa clínica deve ser confidencial e sem julgamento, abrangendo práticas e locais de exposição para escolher testes adicionais. Preservativos externos ou internos reduzem o risco quando usados corretamente, embora nenhuma medida isolada ofereça proteção absoluta.

O teste distingue tricomoníase de outras vaginites

A avaliação pode incluir observação e colheita vaginal ou outra amostra apropriada. Testes moleculares têm maior sensibilidade do que observar o parasita ao microscópio. O pedido deve especificar Trichomonas, porque uma cultura vaginal genérica ou um “exsudado” não inclui necessariamente este agente. A qualidade e o local da colheita influenciam o resultado.

Perante diagnóstico, é habitual considerar testes para outras IST conforme exposições e recomendações, incluindo clamídia, gonorreia, sífilis e HIV. Um resultado negativo obtido cedo demais ou por método menos sensível pode precisar de reavaliação se o risco ou os sintomas persistirem. Produtos vaginais e tratamento recente também devem ser comunicados.

O tratamento deve abranger parceiros

A tricomoníase é tratável com medicamentos por via oral prescritos segundo características individuais, gravidez, interações e recomendações vigentes. Gel vaginal não atinge adequadamente todos os locais da infeção e não substitui a terapêutica indicada. É importante completar o esquema mesmo quando as queixas desaparecem antes do fim.

Parceiros sexuais atuais devem receber avaliação e tratamento conforme orientação, mesmo sem sintomas. Relações devem ser evitadas até todas as pessoas terem concluído o tratamento e os sintomas terem resolvido. Tratar apenas uma pessoa favorece reinfeção. Não partilhe comprimidos nem reutilize receitas, porque dose e contraindicações precisam de confirmação clínica.

Repetir o teste pode detetar reinfeção

A reinfeção é frequente, muitas vezes porque um parceiro não foi tratado ou ocorreu nova exposição. Recomenda-se frequentemente repetir o teste nas mulheres sexualmente ativas cerca de três meses depois, mesmo quando acreditam que os parceiros foram tratados. Esse controlo é diferente de testar demasiado cedo para avaliar cura.

Quando sintomas persistem, a equipa confirma adesão, nova exposição e intervalo desde tratamento antes de assumir resistência. Um teste molecular feito cedo pode detetar material do agente já não viável e confundir a interpretação. A escolha do momento e eventual cultura pertencem ao plano clínico, especialmente após esquemas corretamente concluídos.

Gravidez e complicações merecem atenção

Na gravidez, a tricomoníase associa-se a resultados obstétricos desfavoráveis e os sintomas devem ser avaliados. A pessoa grávida deve informar a gestação antes de tomar qualquer medicamento; existem opções terapêuticas utilizadas durante a gravidez, escolhidas pela equipa. Tratar por iniciativa própria ou adiar por receio pode prolongar infeção e desconforto.

Dor pélvica forte, febre, vómitos, gravidez com dor ou sangramento e mau estado geral não são explicados de forma segura apenas por vaginite. Exigem avaliação para doença inflamatória pélvica ou causa obstétrica. Depois do tratamento, persistência de corrimento também pode indicar outra infeção ou causa não infecciosa, devendo ser reavaliada.

Dúvidas frequentes

Perguntas frequentes

Posso ter tricomoníase sem sintomas?

Sim. A infeção é frequentemente assintomática e ainda assim pode ser transmitida.

Um exsudado vaginal comum deteta tricomoníase?

Não necessariamente. O pedido e o método têm de incluir especificamente o parasita.

O parceiro precisa de tratamento se não tiver sintomas?

Sim, os parceiros atuais devem ser orientados para evitar transmissão e reinfeção.

É necessário repetir o teste?

Nas mulheres sexualmente ativas é frequentemente recomendado novo teste cerca de três meses depois.

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